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Mensagem de Natal do Bispo de Beja

Mensagem de Natal

Diocese de Beja 

Despertando do sono, José fez como o Anjo do Senhor lhe tinha ordenado, e recebeu Maria sua esposa.

Queridos irmãos e irmãs: a paz de Jesus Nosso Senhor esteja convosco!

1 - Condicionados embora por esta pandemia, por misericórdia de Deus chegamos vivos às Solenidades do Natal de 2020. No passado dia 12 deste mês concluímos, com uma solene Celebração Eucarística na Catedral, o Ano Jubilar comemorativo dos 250 anos da restauração da diocese. Mas já no dia 8, o Papa Francisco nos convidou a viver outro Ano Jubilar para assinalarmos a passagem dos 150 anos da proclamação, pelo papa Beato Pio IX, de S. José como padroeiro da Igreja Universal. Sabeis, certamente, que S. José é também o padroeiro principal da diocese de Beja desde o tempo do sr. D. Manuel dos Santos Rocha que assim o pediu, e lhe foi concedido, pelo papa S. Paulo VI. Portanto, celebremos o Natal deste ano, de olhos postos no nosso padroeiro.

Na carta apostólica Com coração de Pai, o papa Francisco apresenta-nos S. José como pai amado, terno, obediente, acolhedor, corajoso, trabalhador, discreto, como modelo de todos aqueles a quem, na sua passagem por este mundo, Deus confia a dificílima missão de ser pais. É uma carta não muito longa, que podereis ler e meditar calmamente neste tempo do Natal ou durante o Ano Jubilar.

 

2 - De S. José, os Evangelhos não falam muito. Mas aquilo que dizem é muito fulcral, e não perdeu atualidade com o passar do tempo. No presépio, estamos habituados a vê-lo ao lado de Maria, adorando com ela o Menino Jesus, ou levantando uma luz para iluminar a escuridão. É uma figura silenciosa a deste homem justo escolhido por Deus para ser servo e pai adotivo do Seu Filho bem-amado, completando assim com Maria, a serva e a Mãe do Senhor, esta família santa que acolhe e serve Jesus. Ele, sendo o Filho de Deus, por amor de nós fez-se homem e servo. A Sagrada Família, caros diocesanos, é uma família de servos, de servos por amor, onde nunca se ouviu a pergunta tantas vezes repetida em nossas casas: quem é que manda aqui? José é um homem silencioso, um homem de oração que escutou as palavras de Deus como ordens às quais obedecia. José fez como o anjo do Senhor lhe ordenara. Estas palavras são como que o refrão estruturante da vida deste homem. Ser homem de oração e iniciar os filhos na sua relação com Deus, ensinando-os a conhecer e a pôr em prática a Sua vontade é, sem dúvida, dar-lhes a estrutura básica da vida cristã. Imitai S. José, pais de família cristãos, e experimentareis na vossa, a admirável fecundidade da sua vida.

3 - Homem justo, José é representado nos ícones do nascimento de Jesus, a ser tentado pelo diabo, ou seja, por um pastor que o assusta recordando- lhe que, ao aceitar a gravidez de Maria se obrigou a criar um menino que todos verão como seu filho, mas que, de facto, ele não gerou. Esta luta entre a Verdade da fé aparentemente oposta às verdades cientificamente objetivas, sempre aconteceu e continuará a acontecer na Igreja. Firme na fé e apoiado nas palavras do anjo, São José não mandou que Maria abortasse pelo facto de não ter sido ele o autor daquela gravidez. Ele respeitou a obra do Espírito Santo em Maria, dando crédito à intervenção de Deus que lhe falou num sonho, por meio de um anjo. São José não discute razões, mas aceita ser servo de Maria e de Jesus, trabalhando, no resto da sua vida, para que nada lhes falte.

 Caríssimos padres, diáconos e catequistas: à imagem de S. José, sirvamos o Senhor e a Igreja representada em Maria. Não esqueçamos que Jesus, de Quem, pelo nosso trabalho, somos pais, verdadeiramente não é filho nosso, é Filho de Deus, é obra do Espírito Santo. Nós passamos, mas Ele permanece e deve crescer como Salvador e Senhor nos corações dos fiéis cuja fé, esperança e caridade alimentamos com nossa pregação e com a celebração dos sacramentos. Prendamos ao Senhor Jesus Cristo, e não a nós, aqueles que, em Igreja, ajudamos a progredir na vida cristã.

 

4 – Ao longo do próximo ano teremos ocasião de tocar outros aspetos desta admirável figura, que nos ajudarão a confiar na sua intercessão, a  invocá-lo, e a seguir o seu admirável exemplo. Neste tempo de Natal que se aproxima, peçamos-lhe a graça de vermos as nossas famílias crescerem como Igrejas domésticas, nas quais haja momentos de silêncio para escutarmos a palavra do Senhor e fazermos oração, cultivando assim a dimensão interior das nossas vidas.

Finalmente, caríssimos irmãos e irmãs, uma palavra de ânimo para quantos de vós estais doentes e carregados de anos. Lembro-vos que São José, que expirou rodeado por Jesus e por Maria sua esposa, é o padroeiro da boa morte. Invocai-o confiadamente, e pedi-lhe a graça de uma morte santa, quando o Senhor vos chamar. Às crianças, aos jovens e a todos os adultos, desejo que vivam este Natal e o ano novo na alegria que nos vem da presença do Emmanuel, Deus connosco. Haja o que houver Deus está perto de nós, ama-nos, e não permitirá que a nossa vida seja uma paixão inútil.

Desejo a todos vós, caros diocesanos, uma vivência autêntica do Natal. Cristo se forme e nasça em vossos corações e vos dê a humildade e a paz com as quais adornou São José seu pai adotivo, padroeiro da Igreja Universal e padroeiro principal da Diocese de Beja. E que o ano novo seja marcado pelo triunfo sobre a pandemia que agora nos oprime.

A todos vós envio, com muito amor, a bênção do Senhor Jesus Cristo.

 

+ João Marcos, bispo de Beja