
Ao longo deste tempo de Quaresma, as nossas comunidades de Aljustrel, São João de Negrilhos e Ervidel foram convidadas pelo Pároco, Pe. Luís Macuinja, a viver um percurso espiritual marcado pela simplicidade dos sinais e pela profundidade dos gestos. Sob o lema “Da Quaresma à Páscoa: um caminho a percorrer”, propõe-se uma caminhada interior que tem como centro a Cruz de Cristo.
No altar, encontrava-se uma Cruz de madeira, da qual partia uma faixa roxa sobre serrapilheira, símbolo do caminho penitencial que fomos chamados a trilhar. Em cada domingo, novos elementos foram sendo acrescentados, ajudando a visualizar e a viver, de forma concreta, este itinerário de fé.
O 1.º Domingo da Quaresma, centrado no deserto, convidou-nos a escutar Deus no silêncio do coração, recordando que “nem só de pão vive o homem”. Os sinais simples — areia, pedras e a Bíblia aberta — remeteram para a necessidade de reservar tempo diário para a oração.
No 2.º Domingo, fomos chamados a subir ao monte com Jesus, contemplando a Transfiguração. Este foi um convite à confiança, simbolizada nas pedras empilhadas e pela luz de uma vela, desafiando-nos a rezar por aqueles que mais precisam.
O 3.º Domingo apresentou-nos a imagem da fonte (cântaro), inspirada no encontro de Jesus com a Samaritana. Foi um apelo à conversão que sacia a sede mais profunda, incentivando atitudes de gratidão e evitando a murmuração.
Já o 4.º Domingo, conhecido como Domingo da Alegria (Laetare), trazia o tema da luz. À semelhança do cego de nascença, fomos convidados a deixar-nos iluminar por Cristo, aprofundando o exame de consciência e abrindo o coração à sua graça. Em Aljustrel coincidiu este domingo com a Festa em Honra de Nossa Senhora das Dores, uma das devoções do povo aljustrelense.
No 5.º Domingo, contemplamos a vida nova, a partir da ressurreição de Lázaro. O pano escuro ao fundo da cruz recorda a passagem da morte à vida e convidou-nos a procurar o Sacramento da Reconciliação como sinal de renovação interior, que foi celebrado na celebração penitencial nessa semana,
Por fim, o Domingo de Ramos introduziu-nos na Semana Santa, propondo-nos caminhar com Jesus, da alegria da entrada em Jerusalém até ao mistério da cruz. Os ramos junto da cruz recordaram este caminho de entrega e convidam à participação ativa nas celebrações.
Esta caminhada quaresmal é, assim, um apelo a viver com mais intensidade este tempo litúrgico, deixando que cada símbolo e cada compromisso nos aproximem mais de Cristo e nos preparem para a alegria da Páscoa.
